Metade de mim era
um inocente espermatozoide;
a outra metade
um óvulo sem culpa nenhuma.
Os meus progenitores
lá decidiram proceder à fecundação
e, uma vez que me vejo neste plano de Existência,
creio não ter outro remédio
que não o de levar uma Boa Vida!
Eu, que escrevo de umas águas-furtadas,
com a claraboia a deixar entrar
(para além de um frio tremendo)
o Infinito pelo meu
quarto-por-esta-noite adentro;
eu
Acredito na Simplicidade da Vida!
Sou um optimista à paisana:
vejo bem o pascácio do macaco snob que somos,
o disparate que reina nos sistemas que montámos
e a desgraça em que pusemos o planeta;
mas acho que toda a Felicidade do Mundo
está à distância de um singelo fechar de olhos!
. . . . . . . . . . . . . . . .
Fecha-se os olhos,
abre-se uma claraboia.
E se nos sentarmos todos
no telhado
a Contemplar as Estrelas,
talvez nos apercebamos da nossa
Pequenez,
nos deixemos de merdas
e comecemos a construir
uma Verdadeira Humanidade…
Talvez um dia nos lembremos
de como era quando nos Maravilhávamos deveras
e possamos finalmente
parar
e Agradecer…
Contando que mais dia menos dia
seremos definitivamente esquecidos,
mais vale fazer da Vida
uma quase-eterna gargalhada –
com uma pausa na Morte,
para recuperar o fôlego.